Perto
da Páscoa, só apetece falar de temas perdidamente doces, que me perdoem os
amigos com tendência a diabetes, eu sei…mas infelizmente até mesmo esses temas
enjoam… a muito “boa gente”…
A verdade é que as pessoas abusam nas
guloseimas de afectos em determinadas alturas específicas do ano…mas rapidamente
tudo volta ao normal e a maior parte de nós lá começa no dia útil seguinte a
sua dieta rígida…cheia de beringela com limão e afins…para ficar em plena forma
no verão…! Assim depressa se limpam as “toxinas” do organismo…e, enfim, lá se
vai toda a “falsa” bondade…!!!!
A
propósito deste fim-de-semana ter visto nas redes sociais uma foto de um senhor
de idade numa manifestação a dizer: “Estou sozinho; o meu filho emigrou!” e
depois de mais uma notícia em que uma idosa foi encontrada sem vida na sua casa,
porque não se sabia da senhora desde há sensivelmente dois meses!!!!!!... não
consigo ficar indiferente ao tema…
Será
que se consegue imaginar a falta, a ausência, o afastamento, a distância…e cuidar
de repudiar estes sentimentos 365 dias por ano?
Só
quem os vive na pele sabe do que se fala…decididamente!
Só
quem já teve e perdeu…seja de que maneira for…consegue imaginar! Eu não fazia a
mínima ideia do que era a dificuldade de estar longe de alguém! Até ao dia em
que perdi…
De
qualquer das formas, continuo a fazer parte daquele grupo privilegiado de
pessoas que têm opção de estar só! Por isso, só consigo imaginar sobre o que
falo e… arrepiar-me!
Não
acho que tenha idade, sexo ou raça…mas se há traço que lhe posso atribuir como
característica da sua personalidade…será talvez a timidez! Com a solidão deve
crescer-se muito interiormente, mas sempre de uma maneira muito introvertida, camuflada;
daí, o viver-se cada dia com uma capa de “vergonha social”, com o receio de se
gritar por ajuda! O flagelo é tão grande e assustador…
A
cada nova geração, a frieza e o cinismo parecem ser de tão grandes dimensões…!
As probabilidades de aumento da solidão são drásticas, em meu entender, pois a
verdadeira amizade já se tornou um daqueles animais quase em vias de extinção que
visitamos com hora marcada no zoo! Refiram-se mesmo os familiares mais
próximos…porque até mesmo esses…muitas vezes crescem a morrer de inveja uns dos
outros…e quando assim acontece, facilmente se acaba só…
Instituir
e tipificar como crime público a solidão seria útil! Evitar-se-ia uma
catástrofe, uma “pandemia” de solidão! Todos teriam um papel determinante a
desempenhar, porque simultaneamente seríamos actores principais e secundários
num mesmo palco! Em relação a umas pessoas, daríamos de nós mesmos, ainda que
obrigados e, em relação às outras, denunciaríamos as faltas!
Haveria
equipas de inspectores no terreno com a função de aferir a veracidade das
queixas contra os obrigados faltosos e o autor do crime seria punido gradualmente,
em função daquilo que não deu. No limite, o arguido seria preso como forma de o
obrigar a conhecer também ele a sua própria solidão! Não lhe chamaria
retaliação…mas “sentir na pele com justiça”! Sei que estou a ser demasiado sonhadora e subjectiva! Fica a boa intenção…
Não
me interessa nada que me dissessem que estaria a obrigar literalmente alguém…a
praticar hipocritamente um dever! E depois, se estivesse? Uma das funções da
lei é mesmo essa: repor, equilibrar…obrigar quem devia…a agir em conformidade! Valores
mais altos se levantam! Estão em causa a violação de muitos Princípios, com
especial destaque para o da dignidade humana.
Talvez
assim se minimizassem tantos danos, se ultrapassassem histórias dolorosas de
esquecimento e de profunda tristeza, as quais certamente todos nós conhecemos aqui
e ali e talvez a Sociedade cuidasse de reinventar relações há muito perdidas no
tempo! E o egoísmo caísse do seu pedestal…
Preferia
que Solidão fosse sinónimo de Sol e de Dão, no sentido de calor humano, por um
lado, e de vinho, de uma boa colheita, por outro, como forma de celebrar
relações!
Aos
verdadeiros Amigos, porque logicamente ainda os há e é tão bom tê-los por
perto, o meu especial Muito Obrigada por existirem na minha vida!
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