4 de março de 2013

“Sol & Dão”: Em Estado Só!



Perto da Páscoa, só apetece falar de temas perdidamente doces, que me perdoem os amigos com tendência a diabetes, eu sei…mas infelizmente até mesmo esses temas enjoam… a muito “boa gente”…
A verdade é que as pessoas abusam nas guloseimas de afectos em determinadas alturas específicas do ano…mas rapidamente tudo volta ao normal e a maior parte de nós lá começa no dia útil seguinte a sua dieta rígida…cheia de beringela com limão e afins…para ficar em plena forma no verão…! Assim depressa se limpam as “toxinas” do organismo…e, enfim, lá se vai toda a “falsa” bondade…!!!!
A propósito deste fim-de-semana ter visto nas redes sociais uma foto de um senhor de idade numa manifestação a dizer: “Estou sozinho; o meu filho emigrou!” e depois de mais uma notícia em que uma idosa foi encontrada sem vida na sua casa, porque não se sabia da senhora desde há sensivelmente dois meses!!!!!!... não consigo ficar indiferente ao tema…
Será que se consegue imaginar a falta, a ausência, o afastamento, a distância…e cuidar de repudiar estes sentimentos 365 dias por ano?
Só quem os vive na pele sabe do que se fala…decididamente!
Só quem já teve e perdeu…seja de que maneira for…consegue imaginar! Eu não fazia a mínima ideia do que era a dificuldade de estar longe de alguém! Até ao dia em que perdi…
De qualquer das formas, continuo a fazer parte daquele grupo privilegiado de pessoas que têm opção de estar só! Por isso, só consigo imaginar sobre o que falo e… arrepiar-me!
Não acho que tenha idade, sexo ou raça…mas se há traço que lhe posso atribuir como característica da sua personalidade…será talvez a timidez! Com a solidão deve crescer-se muito interiormente, mas sempre de uma maneira muito introvertida, camuflada; daí, o viver-se cada dia com uma capa de “vergonha social”, com o receio de se gritar por ajuda! O flagelo é tão grande e assustador…
A cada nova geração, a frieza e o cinismo parecem ser de tão grandes dimensões…! As probabilidades de aumento da solidão são drásticas, em meu entender, pois a verdadeira amizade já se tornou um daqueles animais quase em vias de extinção que visitamos com hora marcada no zoo! Refiram-se mesmo os familiares mais próximos…porque até mesmo esses…muitas vezes crescem a morrer de inveja uns dos outros…e quando assim acontece, facilmente se acaba só…
Instituir e tipificar como crime público a solidão seria útil! Evitar-se-ia uma catástrofe, uma “pandemia” de solidão! Todos teriam um papel determinante a desempenhar, porque simultaneamente seríamos actores principais e secundários num mesmo palco! Em relação a umas pessoas, daríamos de nós mesmos, ainda que obrigados e, em relação às outras, denunciaríamos as faltas!
Haveria equipas de inspectores no terreno com a função de aferir a veracidade das queixas contra os obrigados faltosos e o autor do crime seria punido gradualmente, em função daquilo que não deu. No limite, o arguido seria preso como forma de o obrigar a conhecer também ele a sua própria solidão! Não lhe chamaria retaliação…mas “sentir na pele com justiça”! Sei que estou a ser demasiado sonhadora e subjectiva! Fica a boa intenção…
Não me interessa nada que me dissessem que estaria a obrigar literalmente alguém…a praticar hipocritamente um dever! E depois, se estivesse? Uma das funções da lei é mesmo essa: repor, equilibrar…obrigar quem devia…a agir em conformidade! Valores mais altos se levantam! Estão em causa a violação de muitos Princípios, com especial destaque para o da dignidade humana.
Talvez assim se minimizassem tantos danos, se ultrapassassem histórias dolorosas de esquecimento e de profunda tristeza, as quais certamente todos nós conhecemos aqui e ali e talvez a Sociedade cuidasse de reinventar relações há muito perdidas no tempo! E o egoísmo caísse do seu pedestal…
Preferia que Solidão fosse sinónimo de Sol e de Dão, no sentido de calor humano, por um lado, e de vinho, de uma boa colheita, por outro, como forma de celebrar relações!
Aos verdadeiros Amigos, porque logicamente ainda os há e é tão bom tê-los por perto, o meu especial Muito Obrigada por existirem na minha vida!

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