Um dos meus contos
favoritos, que muito me faz pensar!
A história de dois
irmãos, que viviam numa aldeia, em que um era rico e o outro era pobre. Sistematicamente,
o pobre ia ter com o irmão rico para lhe pedir o que comer. E este dava-lhe,
mas sempre com uma segunda intenção! “Dou-te, mas só se fizeres…”
Numa noite especial do
ano, mais uma vez, o rico disse ao pobre que sim, que lhe daria um presunto
inteiro, mas só no caso de ele se prontificar a ir à “casa do homem morto”, bem
longe dali. Lá poderia tentar vender por bom preço o presunto e fazer algum
dinheiro!
O pobre, que tinha
prometido à família não faltar com comida em casa naquela noite especial,
aceitou aquela condição.
Depois de muito andar…caminhou
e caminhou sem fim… encontrou um lugar com um “brilho” diferente, onde estava um
velho de barbas brancas, a quem perguntou se sabia onde ficava o tal sítio!
O velho, que estava a
cortar lenha para a noite, confirmou que era exactamente ali a casa do tal homem
que se procurava. E aconselhou o pobre a ter cuidado, pois lá dentro da casa
iria encontrar muitas pessoas, que quereriam comprar-lhe o presunto a bom preço,
uma vez que naquele local a carne escasseava!
O velho advertiu ainda
o pobre de que ele só deveria desfazer-se do presunto se trouxesse consigo, não
dinheiro, mas um moinho de mão que se encontrava pendurado atrás da porta de
entrada da casa. E que, caso as pessoas da casa cedessem nessa troca, ele mesmo
o ensinaria a parar o moinho!
Assim aconteceu.
Depois de muita insistência do pobre e de alguma relutância dos habitantes da
casa no dito negócio, o pobre lá trocou o seu presunto pelo moinho e aprendeu
com o velho o truque de o fazer parar! Estranhamente, o pobre interessou-se e aceitou
aquele sábio conselho do velho, seguindo-o!
Nesse mesmo dia,
regressou já muito tarde a casa e a mulher estava decepcionada e cheia de fome!
O pobre pediu-lhe desculpa e tentou compensá-la! Foi então ordenar ao moinho que
trouxera consigo que fizesse comida! E o moinho depressa tratou de fazer os
acessórios necessários para o servir…começou a fazer uma mesa, umas cadeiras,
uma toalha, loiça e depois preparou comida… e mais comida!
O moinho fez tanta
comida que, em poucos dias, o pobre conseguiu inclusivamente dar um banquete aos
amigos. Aquele moinho fazia mesmo tudo o que lhe era ordenado…tudo!
Ao saber do sucedido,
o irmão rico ficou furioso e com muita inveja! Tratou de ir ter com o irmão que
era pobre para saber como é que ele tinha, de um momento para o outro,
arranjado tamanha riqueza!
O pobre não lhe queria
dizer até que, já com um grãozinho na asa, acabou por dizer ao ganancioso para
espreitar atrás da porta o seu segredo: o dito moinho!
Claro está que o
avarento tratou logo de o querer comprar. Pagou muito dinheiro por ele, mas
ficou combinado entre os dois irmãos que só depois das ceifas o teria, porque
assim o pobre garantia que não iria ter mais fome durante todo o ano!
Os campos foram
ceifados e a colheita foi literalmente próspera! Imediatamente após as mesmas,
o pobre cumpriu a sua palavra, entregando ao irmão o moinho, mas não lhe
confiando o truque de o fazer parar!
Já na posse do moinho,
o novo dono começou por ordenar –lhe que fizesse pudins e arenque, depressa e
bem! O moinho desatou a fazer os doces e em breves minutos, as travessas, os
pratos, a mesa, o chão, a cozinha, a sala, toda a casa era pudim e arenque…o
homem tentou por todos os meios parar o moinho, mas não conseguiu de maneira
nenhuma e teve de abrir as janelas; lá conseguiu sair porta fora, fugindo de
uma vaga doce impressionante e ia avisando todas as pessoas que encontrava para
fugirem daquela avalanche…pois não sabia como travar aquela situação…uma onda
gigante de pudim pelo campo fora…punha em risco toda uma Aldeia…
Dirigiu-se a correr de
novo a casa do irmão outrora pobre e suplicou-lhe que este aceitasse de volta o
moinho, sem mais!, pois se aquele moinho estivesse a trabalhar mais uma hora
que fosse, haveria uma catástrofe…a aldeia rapidamente ficaria submersa em
pudins e arenque!
O irmão recebeu-o de
novo. E agora tinha não só o dinheiro, como também o moinho! Não tardou a ter
uma herdade muito melhor do que o outro! O moinho, inclusivamente, moeu-lhe
tanto dinheiro que ele construiu com blocos de ouro uma casa, que ficou
conhecida como “a casa dourada”.
Depressa se espalhou pelo
mundo a fama desta “casa dourada” e da história do moinho! Todos quantos podiam,
tinham curiosidade em ver; havia verdadeiras visitas turísticas àquela aldeia
para espreitar o fenómeno!
Um certo dia, um
capitão de mar muito cansado da sua profissão, resolveu oferecer muito dinheiro
pelo moinho com a ideia de fazer sal sem ter de ir para tão longe! Mais uma
vez, o homem que um dia já foi pobre aceitou desfazer-se do moinho, recebendo
em troca muito dinheiro, mas não revelou o segredo de o fazer parar novamente!
O Capitão do mar
começou por ordenar ao moinho que fizesse muito sal e depressa o moinho desatou
a obedecer à ordem descontroladamente, sem que o capitão o conseguisse parar…
de tal forma que o navio acabou por se afundar! O moinho continua a moer e lá
está, no fundo do mar… até hoje…
Lindo Conto!
ResponderEliminarVou contá-lo aos meus filhos.
Obrigada Rita por pores em palavras essa tua sensibilidade.
Beijinho,
Silvana
Obrigada eu, Silvana! Por partilhares com os teus meninos e pelas tuas palavras tão bonitas! Fico Feliz! Beijinho
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