20 de fevereiro de 2013

Porque é Salgado o Mar!





Um dos meus contos favoritos, que muito me faz pensar! 

A história de dois irmãos, que viviam numa aldeia, em que um era rico e o outro era pobre. Sistematicamente, o pobre ia ter com o irmão rico para lhe pedir o que comer. E este dava-lhe, mas sempre com uma segunda intenção! “Dou-te, mas só se fizeres…”
Numa noite especial do ano, mais uma vez, o rico disse ao pobre que sim, que lhe daria um presunto inteiro, mas só no caso de ele se prontificar a ir à “casa do homem morto”, bem longe dali. Lá poderia tentar vender por bom preço o presunto e fazer algum dinheiro!
O pobre, que tinha prometido à família não faltar com comida em casa naquela noite especial, aceitou aquela condição.
Depois de muito andar…caminhou e caminhou sem fim… encontrou um lugar com um “brilho” diferente, onde estava um velho de barbas brancas, a quem perguntou se sabia onde ficava o tal sítio!
O velho, que estava a cortar lenha para a noite, confirmou que era exactamente ali a casa do tal homem que se procurava. E aconselhou o pobre a ter cuidado, pois lá dentro da casa iria encontrar muitas pessoas, que quereriam comprar-lhe o presunto a bom preço, uma vez que naquele local a carne escasseava!
O velho advertiu ainda o pobre de que ele só deveria desfazer-se do presunto se trouxesse consigo, não dinheiro, mas um moinho de mão que se encontrava pendurado atrás da porta de entrada da casa. E que, caso as pessoas da casa cedessem nessa troca, ele mesmo o ensinaria a parar o moinho!
Assim aconteceu. Depois de muita insistência do pobre e de alguma relutância dos habitantes da casa no dito negócio, o pobre lá trocou o seu presunto pelo moinho e aprendeu com o velho o truque de o fazer parar! Estranhamente, o pobre interessou-se e aceitou aquele sábio conselho do velho, seguindo-o!
Nesse mesmo dia, regressou já muito tarde a casa e a mulher estava decepcionada e cheia de fome! O pobre pediu-lhe desculpa e tentou compensá-la! Foi então ordenar ao moinho que trouxera consigo que fizesse comida! E o moinho depressa tratou de fazer os acessórios necessários para o servir…começou a fazer uma mesa, umas cadeiras, uma toalha, loiça e depois preparou comida… e mais comida!
O moinho fez tanta comida que, em poucos dias, o pobre conseguiu inclusivamente dar um banquete aos amigos. Aquele moinho fazia mesmo tudo o que lhe era ordenado…tudo!
Ao saber do sucedido, o irmão rico ficou furioso e com muita inveja! Tratou de ir ter com o irmão que era pobre para saber como é que ele tinha, de um momento para o outro, arranjado tamanha riqueza!
O pobre não lhe queria dizer até que, já com um grãozinho na asa, acabou por dizer ao ganancioso para espreitar atrás da porta o seu segredo: o dito moinho! 
Claro está que o avarento tratou logo de o querer comprar. Pagou muito dinheiro por ele, mas ficou combinado entre os dois irmãos que só depois das ceifas o teria, porque assim o pobre garantia que não iria ter mais fome durante todo o ano!
Os campos foram ceifados e a colheita foi literalmente próspera! Imediatamente após as mesmas, o pobre cumpriu a sua palavra, entregando ao irmão o moinho, mas não lhe confiando o truque de o fazer parar!
Já na posse do moinho, o novo dono começou por ordenar –lhe que fizesse pudins e arenque, depressa e bem! O moinho desatou a fazer os doces e em breves minutos, as travessas, os pratos, a mesa, o chão, a cozinha, a sala, toda a casa era pudim e arenque…o homem tentou por todos os meios parar o moinho, mas não conseguiu de maneira nenhuma e teve de abrir as janelas; lá conseguiu sair porta fora, fugindo de uma vaga doce impressionante e ia avisando todas as pessoas que encontrava para fugirem daquela avalanche…pois não sabia como travar aquela situação…uma onda gigante de pudim pelo campo fora…punha em risco toda uma Aldeia…
Dirigiu-se a correr de novo a casa do irmão outrora pobre e suplicou-lhe que este aceitasse de volta o moinho, sem mais!, pois se aquele moinho estivesse a trabalhar mais uma hora que fosse, haveria uma catástrofe…a aldeia rapidamente ficaria submersa em pudins e arenque!
O irmão recebeu-o de novo. E agora tinha não só o dinheiro, como também o moinho! Não tardou a ter uma herdade muito melhor do que o outro! O moinho, inclusivamente, moeu-lhe tanto dinheiro que ele construiu com blocos de ouro uma casa, que ficou conhecida como “a casa dourada”.
Depressa se espalhou pelo mundo a fama desta “casa dourada” e da história do moinho! Todos quantos podiam, tinham curiosidade em ver; havia verdadeiras visitas turísticas àquela aldeia para espreitar o fenómeno!
Um certo dia, um capitão de mar muito cansado da sua profissão, resolveu oferecer muito dinheiro pelo moinho com a ideia de fazer sal sem ter de ir para tão longe! Mais uma vez, o homem que um dia já foi pobre aceitou desfazer-se do moinho, recebendo em troca muito dinheiro, mas não revelou o segredo de o fazer parar novamente!
O Capitão do mar começou por ordenar ao moinho que fizesse muito sal e depressa o moinho desatou a obedecer à ordem descontroladamente, sem que o capitão o conseguisse parar… de tal forma que o navio acabou por se afundar! O moinho continua a moer e lá está, no fundo do mar… até hoje…