22 de março de 2013

Ai as Azeitonas!





Não sou a melhor cozinheira do mundo, mas sempre adorei aventurar-me na cozinha e tudo o que faço não tem porções certinhas! Uma receita é quase sempre uma criação, um estado de espírito e uma colherada de bom senso nas quantidades desejadas, ao sabor do que mais apetece naquele dia! Eu acho sempre uma boa solução comer ao ritmo do nosso mood: ora mais picante, ora menos salgado! É a comida que se tem que adaptar a nós mesmos!
Muito embora o meu like por cozinhar, admito que há dias em que falta a dita imaginação para variar os acompanhamentos! Cá por casa, abusa-se dos legumes “healthy-chic” que fazem do Wok o seu private Gym e das saladas cheias de vinagre balsâmico e de orégãos, opções que não enjoam e que são um eterno “J’Adore”…um clássico!
Mas por vezes também se opta por massa, de todas as cores e feitios, marca “al dente” e…bom…há sempre o mundo encantado dos brinquedos…dos pauzinhos chineses com arrozes combinados!
Sou perdida por azeitonas e a minha querida Mãe, como todas as boas Mães do Mundo, alimenta-me o vício…! Todas as segundas costuma ir à Céu buscar azeitonas daquelas óptimas, bem carnudas e grandes, de cor verde-acastanhada…as mais leais, como “os teus olhos castanhos”… talvez concorde! As azeitonas são da Céu e eu fico nas nuvens… <3 it!
Curiosidade à parte, gosto de Azeitonas com tudo! E mesmo só azeitonas, ponto! Ou não fosse eu filha de um bom alentejano oriundo da Terra das famosas azeitonas d’ Elvas; e de alguém cuja primeira palavra que disse no mundo foi mesmo “tona”…imaginem…a apontar para o pote das “dita-cujas”! Pois é, a minha preciosa Mãe!
A minha árvore favorita é mesmo a Oliveira: pela beleza, pelo símbolo, pelo nome, logicamente… também pelo fruto! Mas não, ainda não me deu para criar um grupo no face chamado “os azeitonas” e confesso que aquela música da rádio não é assim muito o meu género…respeito, mas às vezes mudo de estação! Talvez mais culpa da hora a que passa, não sei!
Como todas as boas Mães, a cada nova semana, a minha Mãe vai comprando mais e mais azeitonas! Estou mesmo a vê-la: “ Oh Céu, pode pôr mais uma concha de azeitonas, sff, que a minha filha Rita adora…!”. E lá estou eu a pecar, a achar que vale a pena correr o risco da única contra-indicação que conheço: uma possível maldita borbulha no dia seguinte…mas nem sempre…vá lá!
As azeitonas servem de aperitivo, de acompanhamento, até de “conduto”…tal como dizia a minha avó! Há uns palmiers de massa folhada com azeitonas, deliciosos e simples...!
Mas…nam…nem pensem…que ainda não estou na fase da loucura…não acho nada que sirvam para dessert…qual pudim de azeitonas doces em mel!!!! Que saiba ainda não há gelado de azeitonas no Santini!  Ou há? Será que há?! Não me digam…
Hoje apeteceu-me experimentar um arroz diferente! Então decidi…é isso mesmo! Vou fazer um belo de um arrozinho de azeitonas! Um refugado de azeite e cebola, alho picado a gosto, tomate q.b., umas gotas de vinagre de sidra, um pedaço pequeno de pimento amarelo, umas azeitonas “leais” descaroçadas e cortadas às rodelas, uma casca de laranja e outra de limão a ferver na água, piri-piri e ervinhas…das aromáticas, meninos!!!!!… que eu sou gente com cabeça, hein?
Coloco muito cebolinho, uma pitadinha de tomilho, orégãos até dizer chega e salsa… tudo isto para enganar o palato dos “falta de insossos”…que tb os há por aí…ah pois há…
Et voilá! Um arroz não assim tão vulgar… que me apeteceu dar-vos a “provar”! Bon Appétit!


Também pensei em ti, querida amiga Helena, desculpa, mas este será o único arroz que nunca te vou dar a experimentar…descansa…espero que não fiques chateada…! J

4 de março de 2013

“Sol & Dão”: Em Estado Só!



Perto da Páscoa, só apetece falar de temas perdidamente doces, que me perdoem os amigos com tendência a diabetes, eu sei…mas infelizmente até mesmo esses temas enjoam… a muito “boa gente”…
A verdade é que as pessoas abusam nas guloseimas de afectos em determinadas alturas específicas do ano…mas rapidamente tudo volta ao normal e a maior parte de nós lá começa no dia útil seguinte a sua dieta rígida…cheia de beringela com limão e afins…para ficar em plena forma no verão…! Assim depressa se limpam as “toxinas” do organismo…e, enfim, lá se vai toda a “falsa” bondade…!!!!
A propósito deste fim-de-semana ter visto nas redes sociais uma foto de um senhor de idade numa manifestação a dizer: “Estou sozinho; o meu filho emigrou!” e depois de mais uma notícia em que uma idosa foi encontrada sem vida na sua casa, porque não se sabia da senhora desde há sensivelmente dois meses!!!!!!... não consigo ficar indiferente ao tema…
Será que se consegue imaginar a falta, a ausência, o afastamento, a distância…e cuidar de repudiar estes sentimentos 365 dias por ano?
Só quem os vive na pele sabe do que se fala…decididamente!
Só quem já teve e perdeu…seja de que maneira for…consegue imaginar! Eu não fazia a mínima ideia do que era a dificuldade de estar longe de alguém! Até ao dia em que perdi…
De qualquer das formas, continuo a fazer parte daquele grupo privilegiado de pessoas que têm opção de estar só! Por isso, só consigo imaginar sobre o que falo e… arrepiar-me!
Não acho que tenha idade, sexo ou raça…mas se há traço que lhe posso atribuir como característica da sua personalidade…será talvez a timidez! Com a solidão deve crescer-se muito interiormente, mas sempre de uma maneira muito introvertida, camuflada; daí, o viver-se cada dia com uma capa de “vergonha social”, com o receio de se gritar por ajuda! O flagelo é tão grande e assustador…
A cada nova geração, a frieza e o cinismo parecem ser de tão grandes dimensões…! As probabilidades de aumento da solidão são drásticas, em meu entender, pois a verdadeira amizade já se tornou um daqueles animais quase em vias de extinção que visitamos com hora marcada no zoo! Refiram-se mesmo os familiares mais próximos…porque até mesmo esses…muitas vezes crescem a morrer de inveja uns dos outros…e quando assim acontece, facilmente se acaba só…
Instituir e tipificar como crime público a solidão seria útil! Evitar-se-ia uma catástrofe, uma “pandemia” de solidão! Todos teriam um papel determinante a desempenhar, porque simultaneamente seríamos actores principais e secundários num mesmo palco! Em relação a umas pessoas, daríamos de nós mesmos, ainda que obrigados e, em relação às outras, denunciaríamos as faltas!
Haveria equipas de inspectores no terreno com a função de aferir a veracidade das queixas contra os obrigados faltosos e o autor do crime seria punido gradualmente, em função daquilo que não deu. No limite, o arguido seria preso como forma de o obrigar a conhecer também ele a sua própria solidão! Não lhe chamaria retaliação…mas “sentir na pele com justiça”! Sei que estou a ser demasiado sonhadora e subjectiva! Fica a boa intenção…
Não me interessa nada que me dissessem que estaria a obrigar literalmente alguém…a praticar hipocritamente um dever! E depois, se estivesse? Uma das funções da lei é mesmo essa: repor, equilibrar…obrigar quem devia…a agir em conformidade! Valores mais altos se levantam! Estão em causa a violação de muitos Princípios, com especial destaque para o da dignidade humana.
Talvez assim se minimizassem tantos danos, se ultrapassassem histórias dolorosas de esquecimento e de profunda tristeza, as quais certamente todos nós conhecemos aqui e ali e talvez a Sociedade cuidasse de reinventar relações há muito perdidas no tempo! E o egoísmo caísse do seu pedestal…
Preferia que Solidão fosse sinónimo de Sol e de Dão, no sentido de calor humano, por um lado, e de vinho, de uma boa colheita, por outro, como forma de celebrar relações!
Aos verdadeiros Amigos, porque logicamente ainda os há e é tão bom tê-los por perto, o meu especial Muito Obrigada por existirem na minha vida!